Se você chegou aqui via Bulhufas sabe que esse é um espaço para o exercício da minha frustração roteirística. Frustração é até um termo pesado. Porque não sou uma roteirista frustrada. Gosto do que faço, ganho a vida direitinho e não trocaria minha profissão por nada.
Mas meus dedos coçam, minha cabeça gira e tudo que eu penso pode virar um filme? As vezes. Sempre gostei de TV e na adolescência descobri o cinema. Vi muitos filmes (vejo menos hoje em dia), mas nunca cheguei a ser uma cinéfila no sentido cristão da palavra. Gosto de cinema e só. Mas lá pelos idos dos anos 90, minha colega de faculdade hoje profisional reconhecidíssima, Suzana Apelbaum, viu um curso de roteiro na PUC e insistiu para fazermos. Ela, na época, era atriz e fazia peças ótimas. Com talento – já latente – para um texto muito visual, Suzana achou que o curso de roteiro daria um upgrade em alguma coisa nas nossas futuras carreiras.
A memória me falha e já não lembro se Suzana chegou a terminar o curso. Tivemos quatro professores – ótimos – e um conteúdo muito interessante que me abriu muitas janelas. Fiz ótimos amigos – alguns mantenho até hoje – e descobri em mim um talento que eu nem imaginava. Sempre gostei de escrever, mas confesso que eu desconhecia toda a técnica que envolvia a elaboração de um roteiro.
Saí do curso e tempos depois recebi convites para novos cursos e trabalhos. Até 1997, mais ou menos, trabalhei na área. Escrevi 4 roteiros para o seriado “Confissões de Adolescentes”, um longa-metragem que nunca saiu do papel, curtas e um livro.
Nesse período, estudei muito sobre roteiro, comprei livros, passei horas analisando filmes, conheci cineastas que não conhecia e pessoas que me enriqueceram muito em vários sentidos. Entre eles, o roteirista já falecido Leopoldo Serran e a muito querida, minha amiga, Denise Bandeira.
De 1997 para cá, por muitos motivos, abracei a carreira jornalística onde me encontro até hoje. Acreditem ou não, uso muito do que aprendi nas aulas de roteiro no meu dia a dia. Mas o que fazer com tudo que li e aprendi naquele tempo? Arrumando minha estante, vi meus livros sobre roteiro e me bateu uma saudade enorme.
Melhor que frustração, diria que esse espaço é de saudosismo roteirístico e de tudo isso surgiu a idéia desse blog. Eu, enquanto blogueira há 8 anos, autora de Bulhufas e co-autora do mundialmente famoso Homem é Tudo Palhaço, pus na cabeça mais essa .. um blog para falar de roteiro.
Mas antes de começar: esse é um blog para falar de roteiro. Ou seja, nada que direir aqui será oficial ou verdade absoluta É um espaço aberto de troca de ideias que tem como premissa não levar nada muito a sério.
Portanto, se você já me conhece, divirta-se. Se não me conhece, divirta-se do mesmo jeito.
Ação!!
