Cena 1 – Interior – Dia

Setembro 21, 2009

Patrick Swayze

Filed under: Personagens — Cena Um @ 1:56 am

Faço aqui uma segunda homenagem póstuma. Em se tratando do ano que Michael Jackson morreu, tudo pode acontecer. Depois de John Hughes lá se foi Patrick Swayze. O ator estava muito doente, lutou o quanto pôde, mas se foi. Em sua morte, fiquei sabendo que ele era um dançarino clássico, que foi professor de John Travolta em Grease, um filme que adoro.

Não há como falar de Patrick Swayze em citar Dirty Dancing, hoje um clássico. Uma geração cresceu  entoando os versos de Time of my life. Dirty Dancing é um filme leve, uma história de amor e superação, entremeada por números de dança. A sacada do roteiro do filme é não fazer de Baby, a personagem principal, alguém tão ingênua ao ponto de ser boba, nem tão sexy. Baby era uma garota normal, avançada para a época em termos de posicionamento, mas sem ser chata.

Ao escrever um roteiro é importante pensar em como seu personagem começa – emocionalmente – e como ele terminará. Baby termina o filme mais madura, mais mulher. Ao mesmo tempo, faz Johnny perceber que ele também pode ser algo mais do que é ou do que pensa ser. Em um filme como esse, onde não há grandes conflitos ou diálogos, contam os detalhes, as pequenas nuances. 

A cena que eu coloco aqui tem várias dessas nuances que deixam a história clara para o espectador. Já íntimos, o casal ensaia. Baby, com a blusa amarrada, barriga a mostra. Detalhes que fazem o espectador entender e principalmente visualizar as transformações que ela vai passando ao longo do filme. Chega o rival de Johnny: o neto do dono do hotel, chato, sem graça, baixinho, nerde, que usa o vovô para falar com autoridade. Reparem que um é o extremo oposto do outro, justamente para que o público entenda – também visualmente – quem é o mocinho do filme. Fica claro que a Johnny tem boas idéias para modernizar o show de fim de temporada, mas fica claro o abismo entre ele e seu chefe. Não só ele não consegue travar um diálogo como também é tratado como um ser de segunda categoria.

Na cena seguinte vemos a distância entre os dois: ele, assalariado, precisando do trabalho e por isso se submentendo a humilhações. Ela, filha de um médico, idealista, mas incapaz de lutar pelo seu novo amor. Esse é o conflito que irá mexer com os dois. El terá de assumir um amor proibido e ele terá se ser capaz de lutar pelo que acredita. Diálogos são uma ferramenta poderosa, mas cinema é visual. Os dois se escondendo do pai de Baby é a senha para o espectador entender que ela é, de fato, uma garota até bem intencionada, mas não suficientemente madura.

Eu sempre defendo que em se tratando de cinema, nada como um bom personagem. Suas diferenças, suas dúvidas, fazem a gente pensar. Em algum momento da vida, teremos um amor proibido, um chefe chato … quanto maior for a identificação, melhor para a sua história.

See you, Swayze!

ps: acho essa cena da briga horrorosa. Coreografada demais. Um bom soco e tudo teria o mesmo efeito.

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